Retirado de um texto sobre ecografias de Portugal:
“Situações como esta geram ansiedade desnecessária, sem dúvida, diz o Dr. M. H. Mas não se resolvem com menos ecografias, resolvem-se com melhores ecografias.”
Quando a tribo se reuniu para decidir que conduta tomar, quem primeiro falou foi Nugot, filho do chefe Rahii:
- Precisamos fazer algo para amainar a fúria da “montanha que cospe fogo”. Não temos mais tranqüilidade para dormir, para caçar, para colher ou mesmo para brincar no lago. Nossos filhos estão assustados e doentes. Minha mulher não quer mais fazer o “nukhatki” comigo. Reclama de dor de cabeça, mas eu sei que é por causa de Ratktanuri, a mulher zangada que mora dentro da montanha e que cospe bolas de fogo e fumaça. Quanto tempo ainda conseguiremos suportar tal suplício? O que podemos fazer? Ohh, quem poderá nos salvar?
Colocou as mãos no peito e iniciou um lamento em nabutki, a velha língua dos ancestrais. Cantou uma canção que falava de Merphit, a Deusa feita de nuvens, que voa montada em um alazão de asas brancas. Merphit, a protetora das águas, era chamada a apagar o fogo cujas labaredas impediam o sono de Nugot, o filho do chefe, e impedia que sua terceira esposa, Náhglit, recebesse o sopro de amor para o “nukhatki”.
Outros se uniram na cantoria de Nugot. Algumas vozes mais exaltadas olhavam para o chefe Rahtii como uma mirada acusadora. Para ele dirigiam uma súplica queixosa. Como permitira que Ratktanuri se zangasse tanto? Não era ele o chefe da tribo, filho de Mishleh e neto de Natsfertah? Não trazia consigo o dom da palavra, a prática da escuta e a sabedoria do silêncio? Porque não ordenou aos feiticeiros que usassem suas poções, suas magias e seus sacrifícios antes que a situação se tornasse calamitosa? Porque seu silêncio? Parecia esperar que Ogroth, o Deus de todas as coisas, tirasse finalmente o chão de seus pés e caíssem todos no Poço de Numer, onde todas as gerações por fim se encontram.
- É penosa a tarefa de um chefe, pensou Rahii. Os olhares pesados dos circundantes mostravam a ele que apenas de sua boca poderia brotar a palavra salvadora. O céu de ébano, enegrecido pela fumaça dos pensamentos odiosos de Ratktanuri, ficava ainda mais aterrorizante com a nuvem de preocupações que se avolumava. Rahii precisava fazer algo, nem que fosse para manter Éolid junto de seu povo, a deusa da esperança.
Mal terminara a fala e Nugot, seu primogênito, levanta-se e exclama:
-Velho pai. Tua sabedoria já foi contada por tantos e tuas histórias espalhadas aos ventos. Tua coragem é um hino em honra da nação Nabutki. Entretanto, o peso de Tépis, o tempo, verga tuas costas e embaralha tuas idéias. Tuas ordens são tão antigas como Bakti, o inverno. Já se foram duas quartas de cabras, duas mãos cheias de bezerros e mais uma mão de galinhas, todas oferecidas ao pé da montanha à velha senhora. Que mais pode ela querer? Chega de tanto sacrifício; chaga de tanta dor. De que adianta saldar a dívida com Ratktanuri se o que sobrar de nós for levado por Famis, a senhora da miséria, da dor e da fome? De que vale um povo livre da “água de fogo” que corre pela encosta, se estiver faminto e fraco? Teus rituais sagrados estão ultrapassados, tuas magias velhas, tua força se esvai.
O olhar abatido do velho Rahii ergueu-se para encontrar o rosto de seu filho, aquele que um dia o substituiria. O vigor físico de seu primogênito era notável, assim como a força de sua voz. Ele sabia que as palavras de Nugot estavam escritas com a tinta da morte. De nada adiantaram os rituais já feitos; a velha senhora estava faminta, e pedia mais. Rahii sabia que para se manter como chefe deveria enfrentar a fúria de Ratktanuri mais uma vez. Se falhasse, ela o derrotaria, e levaria consigo todo seu povo. Se vencesse manter-se-ia como chefe, e mais uma lenda se acrescentaria à sua história. Precisaria ser certeiro e forte, valente; destemido e duro.
Olhou mais uma vez para seu filho Nugot, e disse com a voz mais pesada que já lhe havia passado pela garganta:
- Minha neta!, gritou em pensamentos o velho chefe. Não pode ser, não pode ser..,
Os gritos de Náhglit ecoaram pela floresta e sua dor foi sentida até pelos crocodilos. A voz de Rahii era um sopro quase sem vida, mas ainda assim falou ao filho, que gritava amparado pelos irmãos:
- Situações como esta geram ansiedade desnecessária, sem dúvida, disse o velho chefe Rahii. Mas não se resolvem com menos oferendas; resolvem-se com melhores presentes à velha senhora.
Ric
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